No
Princípio Era o Verbo
Antes da
Existência existir, apenas o Não-Existente existia. O Não-Existente, a
Consciência original, o Transcendente, é alguma coisa que a mente humana não
pode compreender. Os antigos Rishis da Índia representaram este
Transcendente através de três atributos: Sat-Chid-Ananda – Ser,
Consciência, Deleite. É Ser e ao mesmo tempo Consciência-Força (ou Força
Consciente) e também Deleite. É a unidade original de todas as coisas, que
contém todas as possibilidades unidas, sem diferenciação. Um Vazio pleno de
Poder, um Potencial infinito de criação. O Verbo: Potencial de Ação, Vontade.
Essa
Existência-Consciência infinita tinha o Deleite de todas as coisas em uma
Unidade perfeita. Apenas um deleite não possuía ainda: o deleite da unidade na
multiplicidade. Este foi, segundo o pensamento indiano antigo, o motivo da
criação-manifestação: o puro Deleite dessa Unidade em múltiplos centros de
consciência individualizados. Poder-se-ia dizer que a Manifestação foi impelida
pela necessidade inevitável de ampliação da Totalidade dessa Unidade original –
o Transcendente – que, sem esse Deleite na Multiplicidade, seria uma totalidade
incompleta. Do ponto de vista do Transcendente, então, o motivo-motor da Criação
é o Deleite Divino Uno na Multiplicidade através do desdobrar-se das
possibilidades infinitas contidas no Divino (a pura alegria da atividade
criativa, a Dança extática de Shiva).

A Unidade
Infinita, indissolúvel, imutável, através de sua Vontade, transformou parte de
si mesma na Criação, permanecendo uma outra parte não manifestada, isto é,
Transcendente. Dessa forma, a Criação não é algo projetado para fora do
Transcendente, mas é o próprio Transcendente manifesto através da separação da
Unidade em polaridades (consciência-inconsciência, bem-mal, etc.) lançadas no
Tempo e Espaço. O Processo da Manifestação é a condensação em graus cada vez
mais densos da Consciência-Força original, seguido da formação de estruturas
cada vez mais complexas dessa energia condensada. Dito de outra forma, a
Consciência-Força original precipitou-se até a Inconsciência primordial, seu
oposto, para daí iniciar um processo de diferenciação na Multiplicidade. Cada
núcleo dessa Consciência assim multiplicada tem a possibilidade de ser consciente
de si mesmo e também consciente da unidade original. Nessa perspectiva, cada
elemento da manifestação é então parte do próprio Criador. A Matéria é, assim, o
próprio Divino manifestado, inconsciente de si próprio.

A cada
etapa da Evolução, um grau mais alto de consciência é manifestado. A evolução
posterior da Supramente levará à consciência de Sat-Chid-Ananda, a Consciência
Divina original, fechando o ciclo da Manifestação. A consciência de que tudo é
Um, a consciência da Unidade na Multiplicidade, e o deleite múltiplo dessa
Unidade na Multiplicidade. Assim, a Evolução tem um propósito bem definido:
manifestar a consciência divina na matéria. O Homem tornar-se-á Deus, ou melhor,
recuperará a consciência de que é o próprio Divino em forma de centros de
consciência divinos na multiplicidade.
Yoga
e Evolução
Segundo
Aurobindo, o Yoga é uma tomada de consciência e uma participação consciente e
voluntária do indivíduo no propósito da Evolução. Inicialmente a Evolução
primeiramente forma um novo e mais apropriado organismo para nele manifestar um
grau de consciência mais alto. Com o surgimento do homem mental-espiritual o
processo pode ser invertido, isto é, através do esforço pessoal e da graça
divina, primeiro alcançar novos planos de consciência para, a partir desse grau,
formar ou adaptar o órgão físico necessário para suportar e manter o grau de
consciência alcançado.
Evolução,
Uma Escolha?
A Evolução
em si é inevitável, portanto não é uma escolha nossa. Mas colaborar
conscientemente no processo da Evolução é uma escolha pessoal. A Evolução também
é coletiva. Um pequeno avanço em uma parte auxilia o avanço do todo. O peso e
inércia do todo dificulta o avanço da parte. Assim, qualquer pequeno passo de
uma parte auxilia a evolução do todo.
Os
próximos Passos
O mais alto
estágio da Evolução na terra é a Mente, esta em três estágios na humanidade: a
mente física, a mente mental e a mente espiritual. A manifestação de um mais
alto grau de consciência pode ser facilitada pela Tripla Transformação: a
transformação psíquica (abertura para dentro, o centro do coração), a
transformação espiritual (abertura para cima, o centro no alto da cabeça) e a
transformação supramental (descida da força supramental pela graça divina).
Finalmente, não é suficiente alcançar a consciência divina, é necessário que
esta Consciência desça e transforme o plano físico-material, divinizando também
a matéria.