CASA Sri Aurobindo - Núcleo para o Livre Desenvolvimento da Consciência

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4. A Essência do Ensinamento (08)

Mas aqui há mais essa dificuldade: a ação que Arjuna deve fazer é aquela da qual seu sentido moral recua. É seu dever lutar, você diz? Mas esse dever tornou-se para sua mente um pecado terrível. Como pode ele (Krishna) auxiliar ou solucinoar sua dificuldade dizendo que ele deve fazer seu dever de forma desinteressada e desapaixonada? Ele quer saber qual é seu dever ou como pode ser seu dever destruir, em um massacre sangrento, seu parente, sua raça e seu país. Ele é informado de que tem o correto a seu lado, mas isso não é e não pode satisfazê-lo, porque o próprio argumento é que a justiça de sua reivindicação legal não justifica o apoio em um massacre impiedosamente destrutivo para o futuro de sua nação. Deve ele então agir de forma desapaixonada no sentido de não se importar se é um pecado ou quais suas consequências, desde que ele cumpra seu dever como soldado? Este pode ser o ensinamento de um Estado, de políticos, de advogados, de casuistas éticos; não pode ser nunca o ensinamento de uma grande Escritura religiosa e filosófica que se propõe a resolver o problema da vida e da ação desde suas próprias raízes. E se isso é o que o Gita tem a dizer sobre um problema moral e espiritual muito pungente, devemos empurrá-lo para fora da lista das Escrituras do mundo e colocá-lo, se for o caso, em nossa biblioteca de ciência política e casuística ética.

Sri Aurobindo, Essays on the Gita, First Series - pg. 33

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O medo da morte e os quatro métodos de conquistá-lo (07)

A primeira batalha a ser combatida já é formidável: é a batalha mental contra uma sugestão coletiva que é enorme, esmagadora, convincente, uma sugestão baseada em milhares de anos de experiência, sobre uma lei da natureza que não parece ter tido ainda qualquer exceção. Ela se traduz nesta afirmação teimosa: sempre foi assim, não pode ser diferente; a morte é inevitável e é loucura esperar que possa ser qualquer outra coisa. O concerto é uníssono e, até agora, mesmo o cientista mais avançado dificilmente ousou tocar uma nota discordante, uma esperança para o futuro. Quanto às religiões, a maioria delas baseou seu poder de ação no fato da morte e afirma que Deus queria que o homem morresse, já que ele o criou como mortal. Muitas delas fazem da morte uma salvação, uma libertação, às vezes até uma recompensa. A sua injunção é submeter-se à vontade do Altíssimo, aceite sem revolta a ideia da morte e você terá paz e felicidade. Apesar de tudo isso, a mente deve permanecer inabalável em sua convicção e sustentar uma vontade inflexível. Mas para quem resolveu conquistar a morte, todas essas sugestões não têm efeito e não podem afetar sua certeza, que se baseia em uma profunda revelação.

A Mãe, On Education, pg. 84

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