CASA Sri Aurobindo - Núcleo para o Livre Desenvolvimento da Consciência

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4. A Essência do Ensinamento (15)

Mas o determinismo da Prakriti não é a última palavra do Gita. A igualdade da vontade e a rejeição dos frutos da ação são apenas meios para entrar com a mente, o coração e a compreensão na consciência divina e viver nela; e o Gita diz expressamente que eles devem ser empregados como um meio enquanto o discípulo não puder viver em, ou mesmo procurar pela prática, o desenvolvimento gradual desse estado superior. E o que é este Divino, que Krishna se declara ser? É o Purushottama além do Eu que não age, além da Prakriti que age, fundamento de um, mestre do outro, o Senhor de quem tudo é a manifestação, que mesmo em nossa submissão atual a Maya, está no coração de Suas criaturas governando as obras de Prakriti; Ele, por quem os exércitos no campo de Kurukshetra já foram mortos enquanto ainda vivem e que usa Arjuna apenas como instrumento ou ocasião imediata deste grande abate. Prakriti é apenas sua força executiva. O discípulo deve elevar-se além desta Força e seus três modos ou gunas; ele deve se tornar trigunatita. Não a ela deve ele entregar suas ações, sobre as quais ele não tem mais nenhuma reivindicação ou "direito", mas ao ser do Supremo. Repousando sua mente e compreensão, coração e vontade nEle, com autoconhecimento, com o conhecimento de Deus, com o conhecimento do mundo, com perfeita igualdade, devoção perfeita, autodoação absoluta, ele deve fazer as obras como uma oferta ao Mestre de todas as autoenergias e de todos os sacrifícios. Identificado em vontade, consciente com essa consciência, Aquilo deve decidir e iniciar a ação. Esta é a solução que o Divino Mestre oferece ao discípulo.

Sri Aurobindo, Essays on the Gita, First Series - pg. 36

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O medo da morte e os quatro métodos de conquistá-lo (01)
(respostas à perguntas)

Todas essas questões podem ser reduzidas a uma única: qual é esse conhecimento ou disciplina que dá a capacidade de encarar a morte sem medo?

Até agora, nada foi dito aqui sobre esse método de conhecimento, que também é um método de ação, porque o estudo e a prática desta ciência não podem ser colocados nas mãos de todos. Falar sobre coisas ocultas tem pouco valor; é preciso ganhar experiência com elas. E esta experimentação exige não apenas capacidades especiais que poucos homens possuem, mas também um desenvolvimento psicológico que poucas pessoas podem alcançar. No mundo moderno, esse conhecimento dificilmente é reconhecido como científico e, no entanto, é assim, pois cumpre as condições geralmente necessárias para uma ciência. É um sistema de conhecimento organizado de acordo com certos princípios; segue processos precisos, e ao reproduzir exatamente as mesmas condições, obtem-se os mesmos resultados. É também um conhecimento progressivo; pode-se dedicar a estudá-lo e desenvolvê-lo de forma regular e lógica, assim como qualquer outra ciência reconhecida de hoje. Mas este estudo trata de realidades que não pertencem ao mundo mais material. Para conduzi-lo, é preciso possuir sentidos especiais, pois o domínio em que ele se move está além dos nossos sentidos comuns. Esses sentidos especiais estão latentes nos homens. Assim como temos um corpo físico, também temos outros corpos mais sutis com seus próprios sentidos; esses sentidos são muito mais refinados e precisos, muito mais poderosos do que os nossos sentidos físicos. Mas, naturalmente, como a educação geralmente não trata desse domínio, esses sentidos normalmente não são desenvolvidos e os mundos em que funcionam escapam do nosso conhecimento comum. E, no entanto, as crianças espontaneamente vivem muito neste domínio. Elas vêem todo tipo de coisas que são para elas tão reais como objetos físicos. Quando elas falam sobre essas coisas, na maioria das vezes são chamadas de estúpidas ou mentirosas, porque mencionam fenômenos dos quais os outros não têm experiência, mas que para elas são tão verdadeiros, tão tangíveis, tão reais como o que todos podem ver. Os sonhos, que muitas vezes as crianças tem enquanto dormem ou mesmo estão acordadas, são extremamente vívidos e têm uma grande importância em suas vidas. Somente com o desenvolvimento mental intensivo essas capacidades se desvanecem nas crianças e até mesmo às vezes desaparecem no final. No entanto, existem pessoas que têm a sorte de nascer com sentidos interiores desenvolvidos espontaneamente e nada pode impedir que esses sentidos permaneçam acordados e mesmo que se desenvolvam. Se essas pessoas, antes que seja tarde demais, encontrarem alguém que tenha conhecimento e possam ajudá-las na educação metódica dos sentidos sutis, estes se tornarão instrumentos muito interessantes de pesquisa e descoberta nos mundos ocultos.

A Mãe, On Education, pg. 88

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